Vitória Pinheiro assume posição de mais alto nível ocupada por jovens no âmbito da agenda urbana das Nações Unidas
A ativista climática Vitória Pinheiro foi nomeada a nova Ponto Focal Global para Cidades (Global Focal Point for Sustainable Communities) no âmbito do Major Group for Children and Youth (MGCY) da ONU — o principal mecanismo de participação de crianças e jovens nos processos decisórios das Nações Unidas. Vitória é a primeira mulher trans brasileira a ocupar o cargo.
Nascida e criada na comunidade Zumbi dos Palmares, em Manaus, Vitória construiu sua trajetória na atuação de base com populações historicamente marginalizadas. É a fundadora e diretora executiva da Palmares Lab-Ação e diretora no PerifaConnection — duas organizações que, juntas, articulam justiça climática, inovação social, comunicação periférica e direitos das juventudes pretas, indígenas, quilombolas e LGBTQIA+, do Sudeste ao Norte e Nordeste do Brasil.
O Ponto Focal Global para Cidades é a posição de mais alto nível ocupada por jovens no âmbito da agenda urbana da ONU. O cargo tem como função mobilizar a juventude global para garantir que as soluções sobre o futuro das cidades incluam as perspectivas de quem vive nas fronteiras da crise climática, especialmente no Sul Global.
Antes de assumir o posto global, Vitória atuou como Ponto Focal Regional para a América Latina e Caribe (LAC) na Constituinte de Crianças e Juventudes para Comunidades Sustentáveis (CYCSC/UN-Habitat), onde coordenou o engajamento da juventude na implementação da Nova Agenda Urbana e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 11.
No Brasil, sua liderança se consolida na Palmares Lab-Ação, organização que ela fundou para mobilizar soluções comunitárias e criativas para a crise climática nos territórios do Norte e Nordeste, e no PerifaConnection, plataforma que conecta e potencializa vozes das periferias brasileiras na democratização da comunicação e nas pautas de justiça social. É a articulação entre essas duas frentes — pesquisa territorial e comunicação periférica — que fundamenta sua atuação no cenário internacional.
Sua liderança é marcada pela defesa de uma diplomacia climática protagonizada por vozes do Sul Global. Vitória atuou em estreita colaboração com lideranças internacionais, entre elas a nigeriana Zipporah Njenga.
“Estar em espaços de decisão global como a ONU é uma oportunidade de construir pontes entre os territórios periféricos e os centros de poder. A Amazônia é diversa, e a juventude que nela reside tem muito a ensinar sobre governança, resiliência e tecnologias sociais. Levo comigo Manaus, levo o Zumbi dos Palmares e levo as lideranças que constroem com a gente na Palmares Lab e no PerifaConnection.”, afirma Vitória.
Fonte: Alma Preta Jornalismo
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