Live de Formação regional do FONATRANS debate letramento transracial e permanência escolar

 


O Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (FONATRANS) realizou, no dia 09 de janeiro de 2026, às 18h, a primeira atividade do projeto Empoderando e TRANSracializando Oportunidades, com a live da etapa Nordeste, transmitida pelo Instagram da afiliada @focetrans.

A atividade marcou o início das formações regionais do projeto e reuniu lideranças, militantes e integrantes da base do FONATRANS para debater temas centrais para o fortalecimento da população trans negra no Brasil.

A live foi conduzida por Bárbara Queiroz, Coordenadora Estadual do FONATRANS no Ceará, e Maria Laura dos Reis, Coordenadora Estadual do FONATRANS no Piauí, que mediaram o diálogo e conduziram as reflexões junto às convidadas.

Participaram como convidadas a Professora Doutora Letícia Carolina, mulher travesti, negra, gorda e piauiense, professora do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), autora do livro Transfeminismo e Leca, ativista social integrante da Coordenação Executiva Nacional do FONATRANS e 2ª Vice-Presidenta do ANDES-SN; e Ágata Pauer, CEO e fundadora da Agência de Comunicação Lebá, comunicadora digital, colunista da Mídia Ninja, Ezatamentchy e Brasil 247, além de ativista pelos direitos humanos.

Durante a atividade, as convidadas abordaram o tema do transracismo, a importância do letramento transracial e o papel da educação como instrumento de transformação social. Foi destacada a necessidade de preparar os equipamentos escolares para acolher, proteger e garantir a permanência de travestis e transexuais nas escolas, assegurando condições para que possam concluir a educação básica e, assim, acessar o ensino superior.



As falas enfatizaram que travestis e pessoas trans negras vivenciam uma experiência singular de vulnerabilização, evidenciada por dados que apontam que cerca de 80% das vítimas de transfobia letal no Brasil são pessoas negras. Foi ressaltado que esse dado não é fruto do acaso, mas resultado direto das estruturas racistas e transfóbicas que atravessam a sociedade.

Também foi destacado que reconhecer essas desigualdades não significa hierarquizar sofrimentos, mas compreender as especificidades de cada experiência a partir de recortes sociais, raciais, de gênero, territoriais e de classe. Nesse sentido, o FONATRANS foi apresentado como um espaço que trabalha intencionalmente com esse recorte, visando enfrentar as violências produzidas pela intersecção entre racismo e transfobia.

O debate reforçou que o enfrentamento às desigualdades educacionais é um passo central para romper ciclos de exclusão, ampliar oportunidades e fortalecer a autonomia da população trans negra.

A live também reafirmou o compromisso do FONATRANS com a formação política, o fortalecimento das lideranças e a construção de estratégias coletivas para o combate ao racismo, à transfobia e à violência de gênero em todas as regiões do país.

O projeto Empoderando e TRANSracializando Oportunidades conta com o apoio do ELAS+ Doar para Transformar e seguirá realizando formações virtuais regionais e atividades presenciais ao longo de 2026, promovendo a troca de experiências, o protagonismo e a incidência política de travestis e transexuais negras.

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