Campeã em possível último jogo, Tifanny evita se despedir do vôlei e promete luta para jogar a Superliga


Após título paulista, oposta do Osasco quer reverter decisão da CBV sobre elegibilidade de mulheres trans no vôlei nacional: "Quero jogar a Superliga este ano antes de me aposentar"

Tifanny Abreu saiu de quadra com um troféu no que pode ter sido seu último jogo profissional de vôlei. Na última terça-feira, a oposta de 41 anos liderou o Osasco na conquista do 19º título do Campeonato Paulista feminino de vôlei diante do Sesi-Bauru. Foi um misto de sentimentos para a jogadora, que evitou falar em despedida. Ela prometeu lutar para jogar a Superliga pela última vez, mesmo depois de a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) ter mudado a política de elegibilidade para as competições nacionais femininas, impedindo a participação de mulheres transgênero.

- É uma felicidade muito grande poder fazer parte desse grande clube, o Osasco. Pode ser meu último jogo, né!? Meu primeiro jogo foi em Bauru, e o que pode ser o último também foi em Bauru. Se eu terminar agora, vou terminar muito feliz. Mas eu ainda vou lutar, porque eu quero jogar a Superliga este ano antes de me aposentar - disse a jogadora.

Tifanny já havia afirmado que lutaria pelo direito de voltar às quadras. Ela cogita recorrer à Justiça. A oposta disputa a Superliga desde 2017 e está em sua sexta temporada pelo Osasco. Ela foi afetada pela decisão da CBV, anunciada em agosto, de adotar a política do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a elegibilidade de atletas na categoria feminina. Pela nova regra, as jogadoras deverão apresentar teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino. A atleta que não comprovar a elegibilidade ficará impedida de disputar as competições.

Primeira atleta trans a atuar na elite do vôlei brasileiro, Tifanny teve sua continuidade no esporte afetada pela mudança. Desde o anúncio, ela recebeu apoio de diversas jogadoras e integrantes da comunidade do vôlei. Gabi Guimarães, capitã da seleção brasileira feminina, chegou a fazer um discurso antes do Pré-Olímpico criticando a decisão da CBV e defendendo a permanência de Tifanny na Superliga.

A CBV, por sua vez, mantém a decisão. Durante o lançamento da Superliga, em setembro, o presidente da entidade, Radamés Lattari, afirmou que não haverá diálogo sobre a situação e disse que não houve pressão para adotar a nova política, que segue as novas regras do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Segundo a instituição, os critérios passam a valer para todas as jogadoras a partir da Superliga A e B (temporada 26/27), Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto) e CBVP Challenger 2027. A recusa da triagem não é considerada infração indisciplinar, mas, sem comprovar elegibilidade, a presença da atleta nas competições não será permitida.

Fonte: Ge Globo

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