Reeleita com 1,59 milhão de votos, Erika Hilton (PSOL-SP) bate recorde histórico na Câmara dos Deputados. Thabatta Pimenta (PV-RN) abre a primeira vaga trans federal pelo Rio Grande do Norte
Com 1.596.383 votos, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) se tornou, no domingo (4), a mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados, segundo dados do TSE com 100% das urnas apuradas. A marca pulveriza o recorde anterior, de Joice Hasselmann, eleita em 2018 com 1,07 milhão de votos, e coloca Hilton como a segunda candidata mais votada em São Paulo, atrás apenas de Lucas Pavanato (PL), com 3,03 milhões. Nas eleições de 2022, ela havia recebido 256.903 votos pelo mesmo estado.
O resultado de Hilton concentra o dado mais expressivo de um ciclo eleitoral que ampliou a presença trans no legislativo brasileiro: sete deputadas obtiveram votos para o Congresso e as assembleias estaduais, contra quatro em 2022. A expansão se deu nas duas esferas: a Câmara Federal passa de duas para três cadeiras trans, e as assembleias estaduais de dois para quatro mandatos.
Duda Salabert (PSOL-MG) acompanhou Hilton na reeleição para a Câmara Federal com 229.535 votos em Minas Gerais, sendo a terceira candidata mais votada no estado. Salabert, que migrou do PDT para o PSOL durante o mandato, havia obtido 208.265 votos em 2022 e foi a primeira mulher trans eleita deputada federal por Minas. Junto com Hilton, compôs a primeira dupla trans da história da Câmara, em 2023.
Nordeste estreia deputada federal trans
A principal novidade da bancada federal é Thabatta Pimenta (PV-RN), que com 92.743 votos abriu a primeira cadeira trans no legislativo federal pelo Rio Grande do Norte. Natural de Carnaúba dos Dantas, no Seridó, Pimenta tem 34 anos e vinha de um mandato como vereadora de Natal: em 2024, obteve 7.085 votos na câmara municipal, a maior votação para o cargo na capital e no estado naquele pleito, em dados da Câmara Municipal de Natal. Ela já havia disputado o cargo em 2022 pelo PSB, quando recebeu 40.533 votos e ficou em 14º lugar no estado, sem se eleger. Desta vez, pelo PV dentro da Federação Brasil da Esperança, foi eleita por média: a legenda acumulou votos suficientes para garantir a segunda vaga da federação no estado.
A Federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB) elegeu duas vagas no Rio Grande do Norte: além de Thabatta, o Dr. Bernardo (PV) foi eleito com 130.835 votos. A maior votada da bancada potiguar foi Natália Bonavides (PT), com 215.509 votos.
Assembleias estaduais ganham quatro deputadas trans
Nas casas estaduais, Natasha Ferreira (PT-RS) e Sofia Favero (PSOL-SP) chegam pela primeira vez. Natasha obteve 54.027 votos no Rio Grande do Sul, segundo o TSE. Travesti e vereadora de Porto Alegre, foi em 2025 a primeira pessoa trans a liderar a bancada do PT em uma câmara municipal no país, segundo o Sul21. Sofia Favero registrou 407.773 votos em São Paulo, terceira maior votação entre os 94 eleitos para a Assembleia Legislativa paulista, segundo o TSE.
Dani Balbi (PCdoB-RJ) renovou o mandato com 169.474 votos no Rio de Janeiro, sendo a quarta mais votada do estado, segundo o TSE. Linda Brasil (PSOL-SE), que obteve 44.384 votos em Sergipe, aparece no sistema do TSE como “não eleita / anulado sub judice”: o indeferimento do DRAP da Federação PSOL/Rede no estado anulou os votos de toda a chapa, e a situação do mandato depende de decisão da Justiça Eleitoral.
Votos de Linda Brasil anulados sub judice em Sergipe
A situação de Linda Brasil (PSOL-SE) é a única pendência do ciclo eleitoral trans de 2026. Com 44.384 votos e a terceira maior votação individual entre os candidatos a deputado estadual em Sergipe, segundo a Antra, Linda aparece no portal do TSE com a situação “não eleita / anulado sub judice”. O indeferimento do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) da Federação PSOL/Rede no estado anulou os votos de toda a chapa. A Justiça Eleitoral deve decidir se os efeitos do indeferimento alcançam as candidaturas individuais ou se os votos são restaurados.
Das sete deputadas trans com votos nas urnas em 4 de outubro, seis têm eleição consolidada pelo TSE; a sétima aguarda o desfecho judicial. Para a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), que acompanhou as 116 candidaturas trans registradas em 2026, o conjunto do resultado vai além da contagem de cadeiras. “Não é apenas produzir números. É registrar nossa participação política, enfrentar o apagamento e compreender os avanços e as barreiras que atravessam a presença de pessoas trans e travestis nos espaços de poder”, afirmou a associação em comunicado divulgado na data das eleições.
De acordo com a entidade, a presença de mandatárias trans nos parlamentos “amplia a capacidade de disputar direitos, proteger vidas e construir uma democracia na qual nossa comunidade também tenha poder de decisão”.
Fonte: Portal Movimento Econômico
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