Vereador Thiago Medina afirma que mulheres negras "fedem" após comentário sobre ato em defesa da candidata Jô Cavalcanti
O ato reuniu aproximadamente 30 pessoas, em sua maioria integrantes de
organizações e coletivos de mulheres negras, em apoio à
vereadora Jô Cavalcanti, única parlamentar negra da atual
legislatura da Câmara do Recife.
Segundo Jô, que também é candidata a deputada estadual, a declaração de
Medina foi direcionada às mulheres que participavam da mobilização em defesa de
seu mandato. “Medina subiu à tribuna para dizer que mulheres negras
fedem”, afirmou a vereadora.
O protesto ocorreu em meio a uma série de conflitos entre os dois
parlamentares, que se intensificaram nas últimas semanas.
Conflitos entre os vereadores se acumulam
Cerca de duas semanas antes, Medina havia criticado um projeto de lei
apresentado por Jô Cavalcanti para instituir o Dia Municipal da Mestra
Ritinha. Na ocasião, chamou a proposta de “porcaria” e se referiu à
entidade da Jurema Sagrada como “mestra dos cabarés”.
O projeto acabou rejeitado pelo plenário.
Em 17 de agosto, durante outra sessão, Jô chamou Medina de “racistinha”,
depois de afirmar que vinha denunciando há meses episódios envolvendo o
vereador sem que houvesse, segundo ela, uma punição adequada.
A reação de Medina foi protocolar uma representação contra a vereadora na Comissão
de Ética da Câmara.
Poucos dias depois, em 20 de agosto, a subcomissão de Ética decidiu aplicar censura
verbal a Jô por uma fala feita pela parlamentar em novembro de 2025. A
defesa da vereadora contesta a decisão e sustenta que a declaração foi analisada
fora de seu contexto.
Nova denúncia por racismo e LGBTfobia
Após o comentário feito por Medina nesta terça-feira, Jô Cavalcanti anunciou
que pretende apresentar novas representações contra o vereador no
Ministério Público de Pernambuco e na Comissão de Ética da Câmara Municipal.
As medidas deverão abordar acusações de racismo e LGBTfobia
relacionadas às declarações do parlamentar.
O episódio ocorre durante a campanha eleitoral, enquanto Medina é candidato
a deputado federal e Jô disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de
Pernambuco.
Para a vereadora e as organizações que participaram do ato, a discussão
ultrapassa uma divergência política entre parlamentares e envolve questões
relacionadas à representação, ao racismo e à violência política contra mulheres
negras.
A repercussão da declaração também recoloca em debate o ambiente enfrentado
por mulheres negras e pessoas LGBTQIA+ na política institucional, especialmente
quando manifestações públicas passam a utilizar raça, gênero ou identidade como
elementos de desqualificação.
Agora, as novas representações anunciadas por Jô deverão ser encaminhadas às instituições competentes, que poderão avaliar os fatos e eventual responsabilização.
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