Mulher trans é encontrada morta oito dias após desaparecer em El Salvador


Mulher trans de Texistepeque, no norte de El Salvador, foi localizada sem vida em Tacuba; autoridades ainda não divulgaram a causa da morte

Yoisi Villalta, mulher trans que trabalhava como vendedora de tortas em Texistepeque, no norte de El Salvador, foi encontrada morta oito dias depois de ser registrada como desaparecida. Seu corpo foi localizado em Tacuba, no departamento de Ahuachapán.

Até o momento, a Polícia Nacional Civil de El Salvador não divulgou publicamente a causa da morte. Também não foi informado se o caso está sendo investigado como homicídio ou como crime motivado por preconceito contra a população LGBTQ+.

Investigação ainda não aponta motivação

Diante da falta de informações oficiais, não é possível afirmar que Yoisi tenha sido assassinada por ser uma mulher trans. A ausência de uma classificação oficial, porém, não diminui a preocupação de organizações LGBTQ+ diante da morte e do contexto de violência enfrentado pela comunidade trans no país.

Durante as buscas por Yoisi, pessoas próximas e organizações também denunciaram o uso do nome que constava em seus documentos, em vez daquele pelo qual ela vivia e era reconhecida socialmente.

A Federação Salvadoreña LGBTI manifestou pesar e defendeu que sua memória seja preservada com respeito à sua identidade. A entidade pediu que Yoisi fosse lembrada “por sua vida, seu trabalho, sua generosidade e, sobretudo, por seu nome”.

Uma vida marcada pelo cuidado com a comunidade

Antes de seu desaparecimento, Yoisi era conhecida não apenas pelo trabalho com a venda de alimentos, mas também pela participação em ações comunitárias.

Ela colaborava com iniciativas locais de saúde sexual e apoiava equipes responsáveis por atendimentos na região, inclusive oferecendo alimentação aos profissionais durante essas atividades. Sua trajetória revela uma presença ativa no cotidiano da comunidade em que vivia.

Mulheres trans entre as principais vítimas

A morte de Yoisi ocorre em um cenário de denúncias recorrentes de violações contra pessoas LGBTQ+ em El Salvador.

Um levantamento do Observatório de Direitos Humanos LGBTQ+ da ASPIDH registrou 301 denúncias entre janeiro e 22 de setembro de 2025. Desse total, 53,5% das vítimas eram mulheres trans, enquanto homens gays representaram 26,6%.

Entre as violações mais frequentes estavam casos de discriminação, ameaças e agressões físicas. O levantamento também registrou denúncias envolvendo agentes públicos, incluindo policiais, agentes municipais, militares e profissionais de saúde.

Os dados mostram que a violência contra a população LGBTQ+ não se limita a agressões individuais, mas também envolve situações de discriminação e barreiras institucionais.

Falta de reconhecimento nos documentos

Outro ponto que permanece no centro dos debates sobre os direitos da população trans em El Salvador é a ausência de uma lei geral de identidade de gênero que permita adequar documentos oficiais à identidade com a qual cada pessoa vive.

Essa lacuna pode produzir situações de constrangimento e desrespeito, especialmente quando pessoas trans são obrigadas a apresentar documentos que não correspondem ao nome e à identidade socialmente reconhecidos.

No caso de Yoisi, a denúncia sobre o uso do nome registrado durante as buscas reforça uma questão que vai além da burocracia: o direito de ter sua identidade reconhecida e sua memória preservada com dignidade.

Enquanto as autoridades não esclarecem as circunstâncias da morte, a comunidade LGBTQ+ salvadorenha cobra investigação, respeito e respostas sobre o que aconteceu com Yoisi Villalta.

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