Registros de transfobia crescem no Brasil e expõem avanço da violência contra travestis e transexuais
Os registros de homofobia e transfobia cresceram no Brasil entre 2024 e 2025, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento chama atenção para a permanência da violência motivada pela orientação sexual e pela identidade de gênero, em um cenário que afeta de maneira particular travestis e transexuais.
São Paulo concentrou o maior número absoluto de ocorrências de homofobia ou transfobia em 2025, com 1.478 registros, um aumento de 54,8% em comparação com o ano anterior. Como os dados são apresentados de forma agrupada, o levantamento não permite identificar quantos desses casos correspondem especificamente a episódios de transfobia.
Entre os estados que apresentaram os maiores crescimentos proporcionais, o Amazonas passou de 5 para 21 registros, alta de 320%. Em Minas Gerais, os casos aumentaram de 15 para 40, crescimento de 166,7%, enquanto Sergipe passou de 20 para 40 ocorrências, uma alta de 100%.
Na contramão desse movimento, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Roraima registraram quedas superiores a 57% nos casos classificados como homofobia ou transfobia. Quatro estados — Bahia, Maranhão, Rio de Janeiro e Santa Catarina — não informaram registros dessa natureza em 2025.
Os dados também revelam a dimensão mais ampla da violência contra a população LGBT. A lesão corporal dolosa foi o crime com maior número de registros contra esse grupo em 2025, com 5.452 ocorrências, um aumento de 7,3% em relação ao ano anterior. Embora esses números reúnam diferentes segmentos da população LGBT, eles ajudam a dimensionar um cenário de violência no qual travestis e transexuais permanecem entre os grupos mais vulnerabilizados.
A ausência de dados específicos sobre transfobia representa um desafio para a compreensão da realidade vivenciada por travestis e transexuais no país. Sem informações desagregadas, torna-se mais difícil identificar padrões de violência, avaliar os impactos da discriminação e desenvolver políticas públicas direcionadas às necessidades específicas dessa população.
O crescimento dos registros de homofobia e transfobia reforça a necessidade de ampliar os mecanismos de denúncia, aprimorar a produção de dados e fortalecer as políticas de enfrentamento à violência e à discriminação. No caso da transfobia, a produção de estatísticas específicas é também uma forma de dar visibilidade às violações enfrentadas por travestis e transexuais e de orientar ações capazes de prevenir novas violências.

Comentários
Postar um comentário