Tiffany Abreu reage a veto do COI a atletas trans: 'É uma luta diária contra a extrema direita'


Jogadora do Osasco disse que não se surpreendeu com as novas regras porque, na sua opinião, Kirsty Coventry se elegeu à presidência com COI com esta bandeira

Em meio à disputa dos playoffs da Superliga de Vôlei, Tifanny Abreu, jogadora do Osasco, disse ao GLOBO que não se surpreendeu com a divulgação das novas diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a elegibilidade das atletas trans. Ao GLOBO, ela falou que "esta é uma luta diária contra a extrema direita".

Nesta quinta-feira (26), o COI anunciou, uma nova regra para a participação de atletas trans nos Jogos Olímpicos. A partir da Olimpíada de 2028, as mulheres terão que fazer testes genéticos, uma vez que a elegibilidade para qualquer categoria feminina é limitada a "mulheres biológicas", conforme a entidade.

A elegibilidade para a categoria feminina será determinada, em primeiro lugar, por meio de um exame do gene SRY para detectar a ausência ou presença desse gene. Atletas que apresentarem resultado negativo estarão permanentemente dentro dos critérios de elegibilidade para competir na categoria feminina.

É a volta do "cartão rosa", que simbolizava que uma atleta era mulher e poderia atuar no esporte feminino. Testes de feminilidade, como os cromossômicos, são aplicados desde a Olimpíada de 1968, evoluindo para testes hormonais e genéticos ao longo do tempo.

— Essa nova presidente do COI (Kirsty Coventry) se elegeu com base nesse discurso, de proibir pessoas trans no esporte feminino. Se juntou ao Trump (Donald Trump, presidente dos Estados Unidos), uma vez que os Jogos Olímpicos serão em Los Angeles, então era de se esperar. É a extrema direita querendo dominar o mundo e a gente tem de lutar contra eles — opinou Tifanny, em entrevista ao GLOBO. — Não estou triste, não. Essa é uma luta diária contra a extrema direita. Temos de batalhar. Hoje estou elegível, amanhã, não. E depois muda de novo. A cada ano as regras mudam. Eu não sosego, não. O que importa é a luta. Porque basta um Trump chegar para mudar tudo. Temos lutar é contra a extrema direita.

Ela se refere ao fato de que, assim que assumiu a presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, Donald Trump assinou ações executivas e decretos para banir mulheres transgênero de competições esportivas femininas no país — cumprindo uma questão política central da sua campanha presidencial de 2024.

"De agora em diante, os esportes femininos serão apenas para mulheres", disse o presidente americano na ocasião.

Recentemente, a jogadora teve uma batalha na Justiça brasileira para poder participar da Copa Brasil de Vôlei, realizada em Londrina (PR). E foi o Supremo Tribunal Federal (STF) que a autorizou.

É que vereadores da cidade tentavam impedir que Tifanny atuasse pelo Osasco, exigindo a aplicação de uma Lei Municipal de 2024 que "veda a participação de atletas cujo gênero divirja do sexo biológico de nascimento em competições realizadas em equipamentos públicos da cidade"

— Dizem que a pessoa trans é mais forte no esporte feminino. Mas esta não é uma questão das pessoas trans no esporte, trata-se de uma questão das pessoas trans na vida. Veja o caso da Erika (Erika Hilton é a primeira Deputada Federal negra e trans eleita na história do Brasil). Também querem barrar a deputada. A perseguição é geral. 

O Osasco, time de Tifanny enfrenta o Fluminense nos palyoffs da Superliga. Os confrontos de quartas de final começam na próxima segunda-feira.

Fonte: Folha de Pernambuco

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