'Além de ser trans, sou humana', diz influenciadora Luna Hellena sobre criar conteúdo sincero na internet
A jovem grava vídeos sobre beleza, autocuidado, comportamento, diversidade e outros assuntos para as redes sociais
Com 1,2 milhão de seguidores no TikTok e mais de 180 mil no Instagram, a influenciadora digital Luna Hellena quer mostrar para os seguidores que também sente alegria, tristeza, inveja e que, mais importante de tudo, é um ser humano antes de ser uma mulher trans.
Para conquistar esse objetivo, a jovem grava vídeos sobre diferentes assuntos, como beleza, autocuidado, comportamento, diversidade e entretenimento. "Encontrei na rede social, na internet, uma forma de me expressar e contar a minha verdade, a situação que estava passando e, talvez, encontrar uma comunidade em que me sentisse acolhida e que tivesse outras pessoas que estivessem passando o mesmo que eu."
"Somos seres humanos além de sermos trans. Ser trans é um detalhe minúsculo que, infelizmente, as pessoas trazem de uma forma tão grande, caricata e animalesca. É triste, mas a sociedade não nos trata como deveria" -- Luna Hellena em entrevista ao Terra
Luna relembra que, se não tivesse sido pela internet, ela não teria conseguido começar a transição de gênero. Foi vendo outras pessoas trans pela internet que ela entendeu a própria identidade em uma época em que "não podia fazer nada, tinha só um batonzinho e um sonho". Em um primeiro momento as dificuldades financeiras eram maiores, mas a jovem conseguiu mais recursos com o trabalho nas redes sociais e tem se sentido cada vez mais realizada.
De todos os vídeos publicados por Luna, um dos que teve maior repercussão foi o que ela gravou com o pai, no qual ele conta como apoiou a filha quando soube que ela é uma mulher trans. A influenciadora conta que o pai nunca teve questões com a identidade de gênero dela e que, de todas as críticas que recebe na internet, seja pelo trabalho ou pela aparência, as que mais a magoaram foram direcionadas ao pai.
"Nunca tive dificuldade com isso. Não ligo se estou sangrando em um aquário de tubarões. O que mais me dói é que, quando postei o vídeo com o meu pai, as pessoas também trataram ele mal."
Mesmo que não sejam os que mais machucam, os comentários sobre a aparência também afetam Luna, ainda mais por ela lidar com a disforia de gênero. Ou seja, sente um desconforto profundo pelo corpo e a aparência não serem associados ao gênero feminino com o qual ela se identifica. "É difícil. Tem vezes que a disforia grita mais alto, as inseguranças, as crises existenciais."
Um dos passos que Luna deu para lidar com a disforia foi criar uma vaquinha online em novembro de 2025 para arcar com os custos de cirurgias plásticas e procedimentos para deixar o rosto mais feminino. No texto da arrecadação, ela conta que já conseguiu cerca de R$ 12 mil de uma meta de R$ 50 mil.
"Durante meses, evitei sair de casa a todo custo por conta da minha aparência. Quando precisava sair, saía com muita maquiagem ou usando máscara e óculos escuros, sempre evitando qualquer tipo de reflexos. É extremamente doloroso você olhar para o seu rosto e não condizer com quem você é" -- Luna Hellena
A influenciadora admite se sentir ansiosa para realizar essas cirurgias e dar o passo que tanto deseja, mas também pondera que isso pode levar mais tempo do que ela espera. "Muitas vezes, a gente fica com esse anseio, com esse imediatismo para extrapolar os processos. Nem sempre dá certo. Tudo acontece no momento que é para acontecer."
"Aqueles comentários sobre aparência não me afetam tanto, mas o fato de me tratarem como aberração dói bastante, não vou mentir. Ter amigos LGBT ajuda demais. Ter pessoas que falem: 'Você não é uma aberração, para de ser louca'", conclui Luna Hellena.
Essa reportagem faz parte da série Nós Somos Potência, em que pessoas trans de destaque em diversos setores da sociedade contam suas histórias, vivências, dificuldades e conquistas
Fonte: Portal Terra
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