‘Se conseguir mostrar o que as pessoas trans promovem, a gente vence o discurso de ódio’, diz Raquel Virgínia

Para a cantora, o 29 de janeiro, dia da Visibilidade Trans, não deve ficar marcado apenas por respostas a agressões

O próximo dia 29 de janeiro é o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A data é celebrada desde 2004, e marca a luta por direitos, respeito e inclusão de pessoas transgênero na sociedade. Para a cantora Raquel Virgínia, as pessoas trans devem usar a data para se manifestarem de maneira proativa, ou seja, além das reações a ataques e provocações.

“A gente precisa colocar os nossos tons, as nossas tonalidades, nosso jeito, colocar nossas pautas sem necessariamente ser uma resposta reativa a tudo que nos provocam e a tudo que as pessoas tentam nos reduzir”, disse ao jornal Conexão BdF 1ª edição, da Rádio Brasil de Fato, nesta quinta-feira (22).

Ex-integrante do grupo As Baías, ela lançou em 2025 seu primeiro disco solo, Não Incendiei a Casa por Milagre. Primeira mulher trans negra a ser indicada duas vezes ao Grammy Latino, ela defende que as produções dessa comunidade ganhem espaço para serem conhecidas por mais gente.

“O Dia da Visibilidade Trans não necessariamente é um dia de denúncia, de apontar o ódio. O Dia da Visibilidade Trans é o dia que temos a oportunidade de fazer com que as pessoas conheçam os projetos, os fazeres. A gente tem muita gente incrível, que vem desenvolvendo projetos maravilhosos, que precisam ser evidenciados”, avaliou.

Fundadora da agência Nhaí, que atua para oferecer oportunidades de inovação em pautas de diversidade e inclusão, ela afirma que o projeto existe oferecer espaço para que a sociedade conheça projetos promovidos por pessoas trans.

“Não que você não possa fazer críticas, não que você não possa analisar o trabalho e o projeto de outras pessoas. Podemos e até devemos, sobretudo quando estamos falando de verba pública, de grupos que impactam a sociedade. Ao mesmo tempo, é muito importante, para o que a gente considera fundamental, a gente também crie nossos próprios projetos, construa nossas próprias narrativas”, resumiu.

“É uma oportunidade de a gente colocar luz e holofotes em cima de projetos de pessoas trans. É para além de colocar luz em pessoas, em indivíduos. Mais importante que isso, é conseguir mostrar o que essas pessoas promovem. Só assim a gente vai conseguir vencer esse discurso de ódio”, encerrou.


Fonte: Brasil de Fato

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