Número crescente de americanos buscando asilo na Holanda
inclui transgêneros enfrentando risco de violência e detenção caso retornem aos
EUA
O Ter Apel, pequena cidade holandesa próxima à fronteira com
a Alemanha, abriga o maior centro de refugiados do país, onde cerca de 2.000
pessoas vivem em áreas cercadas por muros e vigilância. Entre os
recém-chegados, há um grupo de cidadãos americanos que afirma ter fugido de um
ambiente hostil para pessoas trans nos EUA.
Segundo dados oficiais, 76 americanos procuraram asilo na
Holanda no ano passado, número acima de 2024. Ao contrário de outros países, a
Holanda usa centros de acolhimento com celas e áreas comuns, onde os pedidos
são avaliados pelos serviços de imigração. Entre os migrantes, muitas são pessoas trans
e buscam proteção devido a abusos e discriminação.
Entre os casos, destacam-se Jane-Michelle Arc, engenheira de
software de San Francisco, e Ashe Wilde, que transicionou em 2019. Ambos
relatam violência, discriminação e dificuldades de acesso a serviços nos EUA.
Outros relatos apontam para a deterioração de direitos de pessoas trans com a
retomada do governo de Donald Trump.
Perspectivas legais e
desdobramentos
Especialistas afirmam que as chances de uma concessão de
asilo para cidadãos americanos são limitadas e dependem de critérios rigorosos.
A Convenção de Refugiados exige prova de perseguição e falhas no amparo local,
além de alternativa de fuga segura. A posição holandesa evita reconhecer os EUA
como país inseguro de forma ampla, para não provocar repercussões diplomáticas.
Alguns casos de menores dependentes de famílias com visto
americano já obtiveram autorização em circunstancias excepcionais, mas não há
registro de aprovação para adultos trans até o momento. Em Ter Apel, famílias e
indivíduos permanecem em busca de uma solução que permita residência estável e
acesso a oportunidades de trabalho.
Fonte: Portal Tela
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