Mulher trans relata ter sido agredida por três homens em show de Anitta no Rio de Janeiro



'Vou cuspir na sua cara', disse um deles; Polícia Civil diz que investiga o caso, ocorrido na terça-feira

Uma mulher trans relatou ter sido agredida por três homens durante o Ensaios da Anitta, famoso evento pré-carnavalesco, realizado no Riocentro, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, na terça-feira.

A universitária e influenciadora Coral Azevedo, de 27 anos, denunciou o caso nas redes sociais. Em vídeo publicado no dia seguinte ao episódio, ela contou que, enquanto dançava, os rapazes desferiram empurrões, a cuspiram, xingaram e entornaram bebida sobre sua cabeça.

As imagens mostram o momento em que um dos homens faz menção de cuspir e profere insultos contra a vítima: "Vou cuspir na sua cara. Feia! Feia!", disse.

“Fui pela primeira vez ao evento, que é um espaço de música, festa e, até então, de diversidade. É o último lugar onde eu deveria me sentir insegura. Mas, infelizmente, passei por um dos momentos mais constrangedores e assustadores da minha vida. Eu estava quietinha, no meu lugar, dançando, até que três homens gays atrás de mim começaram a se incomodar. Com o quê, eu não sei. E começaram a dançar me empurrando, me chamaram de feia, me cuspiram e atingiram o limite, derramando bebida na minha cabeça”, detalhou Coral, no vídeo.

No momento, a estudante estava sozinha, já que um amigo havia ido buscar uma bebida. Ao Globo, ela deu mais detalhes do episódio, relatando que os agressores a intimidaram: “Ou dança ou sai”, determinaram. Após o banho de bebida, eles ficaram rindo, contou a vítima.

— Quando começaram a dançar me empurrando, eu estava quase caindo, porque o chão estava molhado. Eu percebi que eles estavam caçando problema mesmo quando peguei o celular para tentar registrar a situação de maneira sutil e flagrei um deles dizendo que iria cuspir na minha cara — lembrou.

O clima hostil durou cerca de dez minutos. Quando o amigo retornou, ela contou sobre a situação e teve uma crise de choro diante da sensação de impotência.

— Eu me vi paralisada, com medo e sem conseguir reagir. Não conseguia me mexer para sair dali e chamar alguém, não conseguia sair para ir para outro lugar, porque meu amigo ia voltar para ali. Eram três homens, eu sozinha e ninguém ajudou, apesar de ter bastante gente em volta. Se eu reagisse de alguma forma, poderia ser agredida de maneira muito pior. Só pedia, mentalmente, para aquilo tudo acabar.

Coral faz questão de chamar atenção para o fato de que os homens em questão “eram gays”. E observa:

“Ser gay não te dá o direito de atacar a fragilidade de uma mulher, não te transforma automaticamente em alguém frágil, não te tira a força física e não tira o fato de que você continua sendo um homem”.

O caso foi registrado na quarta-feira pela Delegacia On-line. A Polícia Civil informa que a 42ªDP (Recreio dos Bandeirantes) assumiu as investigações e que diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.

Fonte: Folha de Pernambuco

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