Escritora trans é agredida com coronhadas durante tentativa de assalto em Manaus

 

De acordo com o médico que realizou o atendimento, o chapéu que ela usava a salvou do pior

MANAUS (AM) – A escritora trans Márcia Antonelli, autora de diversas obras publicadas no Amazonas, sofreu uma tentativa de assalto violenta na madrugada deste domingo, 4/1, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus. Durante a ação criminosa, ela foi agredida com coronhadas na cabeça e quase sofreu afundamento do crânio, segundo avaliação médica.

De acordo com Márcia, dois homens em uma motocicleta a abordaram quando ela retornava para casa.

“Estou me recuperando e ainda não fiz o Boletim de Ocorrência. Dois rapazes pararam a moto e um deles, armado, veio na minha direção. Tentei correr, mas fui encurralada e, ao reagir, levei várias coronhadas, acompanhadas de ofensas transfóbicas. Eles não levaram nada e fugiram desesperados porque comecei a gritar”, relatou ao Portal Rios de Notícias, nesta segunda-feira (5).

Segundo a escritora, o chapéu que usava no momento da agressão foi fundamental para evitar consequências ainda mais graves.

Márcia contou que chegou em casa ensanguentada, publicou imagens da agressão nas redes sociais e, em seguida, acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

“Fui bem atendida, sem demora, medicada e agora estou em casa tentando digerir tudo o que aconteceu”, afirmou.

Ainda conforme a vítima, o médico que a atendeu explicou que o acessório ajudou a amortecer os golpes.

“O chapéu amorteceu as coronhadas. Se não fosse ele, o impacto poderia ter causado um afundamento craniano. Agora é vida que segue, mas vou precisar de ajuda, porque minha única fonte de renda no momento é a venda dos meus livretos, e estou em repouso por recomendação médica”, disse.

Preconceito e resistência

Para Márcia Antonelli, o episódio evidencia os desafios enfrentados diariamente pela comunidade trans, como o preconceito, a violência, as dificuldades de acesso à saúde e a baixa representatividade política.

“A transfobia ainda mata e adoece. Sobreviver também é um ato de resistência”, concluiu.



Fonte: Portal Rios de Notícias

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